Nada sei.
Talvez esses versos já existam,
Mas os sinto.
O gigantesco e empolgante Nada
Vem me abraçar
E me convidar
Para um lugar de metáforas
De mim mesma.
E posso ir pulando de uma a outra
Como criança que brinca com a flor,
Que as colhe e escolhe
Pela cor que julgar mais bonita.
E eu colho a aprazível metáfora de mim:
A rebelde, louca, desfigurada
E recém nascida nova versão
De uma eu que desconheço.
Ela me aguardava
Enquanto tecia maldizeres sobre
Aquela outra.
"Coragem"! - dizia.
Mas a outra ainda era tão pequenina.
Porém chegou ao lugar predestinado,
Escancarou muros, rasgou jornais.
Esmurrar o próprio telhado e ficou
Desprotegida
E totalmente deslumbrada
Com a potência das belezas
Que a consagraria.