Eclipse lunar seguido de solar
E nas minhas entranhas algo se movendoUm corpo clamando por movimento
Movimento interno que embaralha as
Cobras pretas remexendo densamente.
A voz que grita em silêncio
A busca por mim e a fuga de mim
Me busco e escapo
Me capturo e num rodopio furtivo
Me esgueiro para longe de minhas mãos.
Retomo.
A voz não obedece, pois não quer ser domada
A boca reclama, pois não quer ser tapada:
Uma raiva que fervilha em minhas moléculas.
O abandono da fé na humanidade
E a utopia persistente:
Ódio-amor constante e insistente
Como se fossem um só.
Raiva permanente.
A morte da inocência em lua nova.
Lilith reclusa no submundo
Indignada em resignação
(Yin)
O desejo de atear fogo em tudo,
Até mesmo no próprio corpo
Para fazê-lo dançar
Escorrendo em fluidos raivosos
E escuros:
Fluídos frutos de eclipses.