Nada em mãos

quarta-feira, 5 de junho de 2024 § 0

 Não vou entregar-te nada,

Pois nada tenho em minhas mãos.
Carrego somente um sono, um fardo,
E uma emoção pela cor do céu de hoje.
Hoje cantei uma canção simples e chorei.
“Com tempo desses não se sai.
Quem vai pro mar, não vem”.
Que cruel o mar que engole implacável.
Que delírio a vida que passa incessantemente.
Quero o sabor da água fria
E o cheiro do vento que bate nos prédios.
Cheiro de concreto e desesperança,
Tão agridoce e pungente.
As delícias de se libertar da paixão
E voar como o condor que plana, errante.
Essa noite senti seu cheiro
Mas não esqueci do meu.

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