Era de um querer tão agressivo
Aquele meu querer.Que de tanto querer,
Assim, corrosivo,
De dissolver o estômago,
Chegou até algo que não sei se acredito
E se materializou.
Aquela coisa ali
Que todos falam.
Mal nasci e já me berravam nas orelhas
Que a coisa existia
E era boa
E realizaria meus desejos.
A grande coisa coisada!
Que de tanto não acreditar acreditando
Lá fui eu lhe vomitar minhas preces
Como cobras pretas saindo da boca
E chorar lágrimas de querer vermelhas
Até não sobrar alternativa
À grande coisa
De me dar
Jogar na minha cara lívida
Esmurrar com benevolência
O que eu tanto queria.