Tenho sentido tanta vida imensa
Que meus músculos expiram ao final do dia.Trocas brutas,
Dentes rangendo,
A garganta ressoando incessantemente
Um cantar desenfreado
Entre o concreto dos prédios,
As catracas das estações,
O bailar dos milhões de corpos,
Nosso bailar tão taciturno e pequenino.
O perigo de respirar o mesmo ar,
O perigo do perigo que mora nas partículas,
Sempre por um triz,
Um frizz,
Uma gota de suor.
Desconfianças,
Desabafos,
Esbarros sobressaltados
Nas pessoas e carros,
E minha pele mais madura ao espelho
A cada dia.
Minha dura carcaça já não ultrapassa
Qualquer limite da emoção:
Me desfaço em um abraço.
Quero a distância,
Quero o isolamento,
Quero o descanso,
Quero a dissolução,
E quero tanto, mas tanto,
A presença
O encontro
Correr o risco proibido
De respirar o ar do teu pulmão.